É intrigante a opção que algumas pessoas fazem - de forma voluntária ou imposta - por se manterem castas ou celibatárias, termo popularmente utilizado para descrever aquele que escolhe abster-se de atividades sexuais. É que sexo também precisa ser prioridade na vida da gente. Faz bem à saúde; alivia as tensões; melhora o humor; estimula a atividade mental; proporciona aumento da auto-estima, além de ser excelente exercício aeróbico.
Por isso, abrir mão de exercitá-lo, ainda que esporadicamente, chama atenção. Conheço algumas pessoas que vivem assim, castas. E fizeram esta ‘escolha’ por diversas razões: crenças e imposições religiosas; solidão; problemas de saúde; blindagem emocional; falta de desejo sexual ou porque priorizam outras atividades e vão ficando sem tempo para o sexo.
Em todas elas eu observo um traço comum: vivem emocionalmente mais confusas; parecem menos felizes e, por isso, levam a vida num desequilíbrio exprimido por variadas formas.
Tenho uma amiga, com quem convivo de forma esporádica. Mulher jovem – não guriazinha, é verdade – que vive em retraimento. Embora tenha um círculo de amizades considerável, não se habituou às experiências sexuais. Em um determinado momento – sabe-se lá por que – optou por viver em castidade. Pareceu-me tão envelhecida, ressentida, amargurada, desleixada com a aparência física; no papo, mostrou-se queixosa.
Hoje outro fato me chamou atenção. Observei no centro da cidade a atitude de um padre conhecido, que circulava de carro ‘cuidando’ um jovem que ali transitava. A perturbação daquele sujeito em sua atitude era visível. Ele certamente estranhava e até sofria ao perceber o desejo se impondo, consumindo-lhe e o obrigando àquela atitude tão ‘imprópria’ para sua condição de pastor. Uma evidência doentia das conseqüências de um celibato imposto e, porque não, injustificável.
Um querido amigo, septuagenário, me confidenciou não ser a velhice motivo para a ‘opção’ pela castidade. Mesmo que o sexo ainda seja tabu e preconceito para alguns casais da terceira idade, os que já descobriram formas alternativas de viver e experimentar a sexualidade percebem os benefícios. E neles é visível o gosto pela vida. Uma diferença significativa em relação àqueles que aceitaram, resignados, a ideia de que a idade retirou-lhes essa possibilidade.
Se deixar de fazer sexo pode fazer mal à saúde – por ser atividade fundamental para o bem-estar humano, porque algumas pessoas insistem em renunciá-lo, num autoflagelo inexplicável?
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