Eu fumo charuto. Admito. E isso provoca estranheza. Às vésperas do Dia Internacional da Mulher – data clichê, convenhamos – certamente haverá quem se surpreenda com a minha confissão. Mulher com charuto na boca provoca olhares que variam do repressor ao extraordinário. Para os mais ‘viajantes’ há algo lascivo nesta conduta. É feio.
Mas se o fumador é homem, um charuto confere certo estilo. Uma boa dose de charme. Dá ar de poder e masculinidade. As confrarias de charuto são, predominantemente, masculinas. Comente num grupo que você faz parte de uma confraria feminina de charuteiras e, então, aguarde as reações.
Os charutos são folhas de tabaco envoltas numa outra inteira, que lhe dá acabamento e beleza. A história refere que muitos são enrolados apoiados nas coxas das mulheres, maioria na indústria charuteira. Ou seja, as mulheres, desde ai, trabalham para satisfação dos homens, os destinatários preferenciais deste ‘rico’ produto.
Eu costumo ser censurada, especialmente por mulheres, sobre esse meu gosto fumageiro. Por puro preconceito!
Queimar um bom charuto confere grande prazer. Acompanhado de um vinho tinto, ou de um destilado qualquer – mesmo aquela cachaçinha corriqueira – proporciona satisfação ímpar. É conduta, portanto, para homens e mulheres.
Tenho para mim que o espanto de um charuto na boca de uma mulher representa o preconceito de que ainda somos alvo, diuturnamente, nas mais diversas situações, e através de variadas atitudes.
Eu me utilizo desta metáfora – uma boa fumada de charuto – para dizer que se há repulsa, espanto, galhofa, rejeição diante deste tão singelo fato, ainda há muito a fazer para convencer a todos, inclusive às próprias mulheres, de que não há mais razões para discriminações e preconceitos sociais. Somos iguais, homens e mulheres. Somos gente.
Nesse dia 08 de março, dia internacional da mulher, eu concito os colegas do Blog e todos os leitores do Amigos, homens e mulheres, a que acendamos um charuto, ou um palheiro que seja, num lance metafórico de igualdade.
(Escrita em 07 de março de 2010)
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