quarta-feira, novembro 09, 2011

Anorexia, um mal a rondar o mundo da moda

Folheio uma revista de moda e olho para as modelos que exibem as coleções dos principais estilistas do mundo. Corpos esquálidos, magérrimos, sustentam roupas que parecem estar dependuradas em cabides de madeira, e não em corpos femininos.

A revista Veja publica notícia sobre o crescimento do número de internações de crianças e adolescentes com quadro de anorexia nos Estados Unidos

O Brasil já investiga, também, a razão do aumento deste distúrbio alimentar.

Penso no ritmo de vida, e nas exigências que as modelos sofrem para estarem dentro dos padrões requeridos pelo mundo da moda.

Por coincidência encontro uma modelo, de 16 anos, que há três anos integra o ‘casting’ de uma agência internacional. É gaúcha, e vive em São Paulo, mas já morou em Milão e no Japão. Fez campanhas para variados estilistas e perdeu a conta dos inúmeros desfiles que participou. Curtia férias, por esses dias com a família e, nessa convivência, percebi sua preocupação em evitar ‘excessos’ na alimentação.

Paula(*) tem 1,78 de altura e pesa 49 quilos. Disse-me que está ‘gorda’. “A agência bota pressão na gente. Não posso engordar”. Os excessos alimentares que a assustam não são abusos, na verdade. Ela não come arroz, nem feijão. Batata e carnes vermelhas também não. Nada de gordura, nem de doces. Perguntei o que ela come. Respondeu: tomo leite, pela manhã – desnatado, claro! Como frutas e verduras. No almoço, uma carne branca, que pode ser peixe – quase sempre é, ou frango. Iogurte e cereais. Isso é tudo.

Noto que a rotina de trabalho também contribui para a sua magreza e das modelos que trabalham com ela. “Uma sessão de fotos pode durar de 12 a 18 horas. Os desfiles são uma correria maluca. A gente esquece-se de comer, não tem tempo para pensar em fome” explica.

Paula faz uma revelação impressionante. Muitas de suas colegas de profissão, ao sucumbirem aos prazeres de uma alimentação normal – comer um doce, vez por outra ou uma fatia de pão com manteiga - compensam esse ‘pecado’ incrementando o hábito de fumar. O trabalho gera ansiedade. Muitas amigas não resistem, e comem. Para que isso não aconteça, trocam a comida por cigarro. Na hora que a fome aperta, fumam. E se o cigarro não funciona, ingerem inibidores de apetite, automedicam-se.

Modelos magras estão por ai. É exigência do mercado. E morrem anoréxicas. Porém, é inadmissível que não exista uma regulamentação específica para as condições de trabalho – e de saúde - dessas profissionais, o que seria recomendável.

A imagem de uma modelo ostentando sobre os ossos um Alexandre Herchcovith é tão aterrorizante quanto a que mostra uma profissional fraquejando ante a doença. Não há beleza que se sustente frente ao quadro de evidente ausência de saúde.

(*) O nome foi trocado para preservar a identidade da jovem.

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