quarta-feira, novembro 09, 2011

O prazer de viajar

Viajar é um prazer. Tudo o que está ao entorno da viagem me delicia. Escolher o destino. Planejar. Decidir como ir. Estudar o que conhecer. Reservar dias para o inesperado; para apreciar o imprevisto; para estar naqueles lugares que os guias de viagem não indicam.

Andar pelas vias como um nativo. De preferência a pé, ou de ônibus. Aproveitar o movimento ordinário da urbe. Também me agrada regressar; voltar à cidade querida, para o conforto do teto.

Quando viajo eu me harmonizo. Tenho comigo olhos atentos nessas andanças. Procuro enxergar aquilo que eu possa lucrar, para de algum modo incorporar na minha existência. Algo como plagiar os bons exemplos, e repelir os maus modos.

Nas minhas últimas peregrinações não foi diferente. Observei muito. E ai, comparar se torna inevitável. Percebo, assim, que o que há de malfazejo aqui na Princesa tem jeito.

Começo pelas coletoras de lixo – as que abundam nos meio-fios das calçadas a cada quadra das vias de Pelotas. E pelas lixeiras, que são escassas nos passeios públicos pelotenses. As primeiras, as coletoras, são úteis para manter a cidade limpa, é verdade. Mesmo que serviam, por vezes, de dormitório para alguns vagantes, prestam um bom serviço no que diz respeito à organização do lixo. Mas estorvam também. Atrapalham o trânsito. Dificultam a visibilidade de motoristas. Obstaculizam a passagem de pedestres.

E o fazem pelo modo como foram ‘instaladas’ por aqui – nos meio-fios, próximas ou entre rampas de garagem de casas e edifícios. E pelas esquinas. Sim, nas esquinas. Mas tem jeito. E é simples resolver essas dificuldades: recortem-se as calçadas, recuem-se os meio-fios, instalem-se as coletoras, retirem-nas das esquinas, e elas não amolarão mais ninguém. Fácil. Eu notei isso em muitas cidades nas quais andei. Já para as segundas – as lixeiras – elas podiam estar em dezenas nos passeios, parques, praias, ruas e praças de Pelotas. São insuficientes, infelizmente. Junte-se a isso a má educação de alguns, e o lixo sobeja atirado em qualquer lugar. E vem a chuva, e todos nós sabemos o que acontece.

Já no setor transporte público, também é difícil não comparar. Eu não quero ser absoluta, mas Pelotas tem transporte coletivo caríssimo, talvez um dos mais caros que eu conheça. Para andarem-se poucas quadras em um ônibus, se paga uma exorbitância comparada à distância que se percorre em outras cidades, por preços muito mais razoáveis e convidativos. Não fosse isso suficiente, ainda há o tempo gasto esperando a condução. Um desestímulo. Um desalento que aporrinha a quem precisa, e acabrunha os que desejam deixar o carro em casa e contribuir para a diminuição do aquecimento global.

Afora isso, não esqueço das condições de nossas paradas de ônibus. É triste. Desanimador por aqui. Dá inveja observar como elas são projetadas em outros sítios por onde passei. Há coberturas e assentos. Quadros informativos de horários e trajetos. Bem diferente daquilo que experimentamos em nossa cidade. E há muito mais. Mas é o suficiente, por enquanto.

Perdoem-me os conterrâneos, mas eu não vou me resignar. Não calarei, portanto. Acreditem: quando confronto e comparo, não o faço por destrutivo. Meu desejo é contribuir. Tem jeito. E não é tão difícil. Estou iludida?

{Escrito em 16 de fevereiro de 2010}

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