quinta-feira, novembro 10, 2011

Do virtual para o real: posso ser seu amigo?





A ‘vida’ da gente nas redes sociais é bastante estranha. Eu já escrevi sobre isso, em uma postagem sobre o Facebook, e o quanto as pessoas se expõem, seja escrevendo esquisitices no ‘mural’, mandando mensagens ‘excêntricas’, ainda que ‘off ’, convidando centenas de criaturas para serem suas amigas – há até quem faça um certo concurso, uma verdadeira disputa para ser campeão de amigos ou seguidores – e, o melhor, você pode até ‘cutucar’ seus contatos.

E tem espaço para você declarar seus interesses: amigos, homens, mulheres, bicicletas, livros, poesias, cães, cobras enfim...Dizendo sobre eles você adquire as melhores condições de 'agregar' pessoas parecidas com você. Sei não se isso é prudente. É tão bom conviver com o diferente...

Ah, e também pode curtir. Tudo e todos se curtem. Tudo é passível de curtição. Uma foto, alguém curte. Uma frase, lá vem curtição; uma piada, é certo, alguém vai curtir. Até as lamúrias, queixas, sofrimentos acabam sendo curtidos.

Impressionante. O Facebook proporciona, com essa ferramenta, a ilusão de que a vida é pura curtição.

No Twitter, não é muito diferente. As criaturas seguem umas as outras. Recebem os twittes e retwitam uns aos outros, em assuntos variados, alguns que você não tem o mínimo interesse, mas acaba sendo obrigado a ler, pela insistência com que te enviam.

Ainda há outra coisa incrível no Twitter: as pessoas descrevem, ponto a ponto, hora a hora, minuto a minuto, o que estão fazendo, ou o que farão logo a seguir. Um pouco estranho esse hábito.

O Facebook proporciona às pessoas passarem horas – isso mesmo – horas bisbilhotando a vida alheia. Há uma intromissão incrível – autorizada e desautorizada, porque ninguém dimensiona, bem, o quanto está visível nessa rede social.

Fico imaginando uma transposição desta ‘realidade virtual’ das redes sociais para a ‘realidade factual’.

Conversando com uma amiga demos boas risadas imaginando como seria a nossa vida se adotássemos o padrão de comportamento que temos nas redes sociais virtuais.

Imaginem se um sujeito passa por você na rua e você decide cutucá-lo. E se for uma mulher, bem vestida, daquelas que arrasam no salto agulha – mesmo caminhando nas calçadas mal aprumadas de Pelotas – e você também a cutuca?

Dependendo do ‘cutuco’ você poderia ter como revide uma bordoada. Ou não. Poderia ser cutucada também...poderia dar samba! E, ai você, rapidamente, mudaria de status. Como? Sei lá, use a criatividade para imaginar.

Pensem: um grupo simpático joga conversa fora, ou discute sobre cinema ou futebol, e você, interessado, os interrompe, convidando-os para serem seus amigos. E insiste (você não pode mandar mensagens insistentes com esse convite, mas pode ser inconveniente suficientemente na 'realidade real', insistindo sem parar).

Ah, e nesse caso quem está sendo solicitado, não pode bloquear você.

Rimos imaginando que seguir poderia ser uma delícia, ou um martírio. Eu disse a ela: amiga, um bonitão cruza seu caminho e você passa a segui-lo. E ela me retrucou: em compensação, um ‘trubufu’ poderá fazer o mesmo com você.

É bom não esquecer esse detalhe... Sério, já pensou? O cara (ou a cara) te segue te segue e te segue e você faz o que para livrar-se dele? Não há bloqueio. Não há possibilidade de tirar o tipo da sua vida.

Pensei na questão da curtição. Ocorreu-me uma ideia compartilhada com a amiga: um artista de rua faz sua apresentação – o homem prateado, a estátua viva de Pelotas, por exemplo – e você cola nele um ‘post it’ com a expressão: curti. Seria o máximo né?

Ou, na balada, alguém chama sua atenção e, então, ‘post it’ nele: curti!

No calçadão, na sala de espera do médico, na sala de aula ou no trabalho, 'dale' curtição.

E sobre os seus interesses? Você os manifestaria num pequeno cartaz, ou num banner. Faria uma camiseta: interessado em vegetais!

E depois de tantos gargalhadas que demos, eu e a amiga,  hoje descobri um video superinteressante que está postado logo acima. Encontrei-o no youtube.

Ele traduz em imagens e texto a realidade virtual, transposta para a vida real.

Convidei a amiga para ver comigo. Demos muitas gargalhadas, personalizando criaturas nos protagonistas que aparecem no vídeo.

Convido-os a fazer o mesmo, e boa diversão.

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