quarta-feira, novembro 09, 2011

Automóveis e status


Já faz muito tempo que eu tenho essa percepção: para alguns desditosos, carros são sinônimos de status. Aos olhos de muitos o veículo significa prestígio. Ele pode 'mostrar a posição' que alguém ocupa na sociedade. É risível, caricato, mas evidência. Para muitas pessoas, ter um carro bonito, de preferência do ano, é o sonho de consumo que os financiamentos em longo prazo permitem realizar. Alguns até arriscam adquirir sem ter bem certeza de poder pagar. Mas, nesse caso, vale a pena aventurar-se nem que seja para dirigir um ‘formoso’ por alguns meses. E parecer... aparecer... Aqui em Pelotas há vários exemplos deste tipo de pessoa.

O carro deve ser de cor sóbria, preto de preferência. Essa é a cor que encanta. É a cor do luxo. Contrasta com o metálico – dourado ou prateado – que compõe o visual de muitos veículos que circulam por ai. Os prateados também estão na conta. O sujeito entra no veículo é ascende socialmente. Pelo menos acha.

Os donos se sentem elegantes e distintos dentro desses automóveis. Creem diferenciarem-se, passando uma ideia de riqueza, prosperidade que, de verdade, não existe. Vivem, portanto, a fantasia que o carro do ano lhes proporciona.

Conheço uma criatura que optou abrir mão de viver um grande amor para manter uma relação com um ‘ricaço’ – a quem ela dedica ‘carinhosamente’ o adjetivo de ‘nojento’. Segundo me confessou, ela "prefere chorar dentro de uma Hilux a ter de dirigir um Fiat Uno qualquer". Aparecer está na ordem do dia dessa fulana. Mas um fato ainda me impressiona mais do que a vaidade ou a arrogância destes a quem me refiro: ver que há entre eles os que optam por dirigirem possantes veículos – e caros, muito caros – ao invés de, por exemplo, matricularem seus filhos em boas escolas.

Há, também, aqueles que residem em moradias que sequer têm garagem para guardar o carro, mas não abrem mão de tê-lo estacionado na rua mesmo, ou numa garagem qualquer. O carro, não raro, vale mais que a própria casa.

Tenho cá meus delírios automobilísticos. Há muito carro bonito no mercado. Eles realmente fascinam, mas é preciso manter a racionalidade para compreender que carro não constitui ninguém. Não faz qualquer pessoa. Não torna alguém coisa alguma.

Observando onde mora a pessoa que "prefere chorar dentro da Hilux", compreendi um pouco da lógica que permeia os que pensam ganhar status ao dirigirem um bom carro: a casa de moradia não sai com a gente para a rua. Já o carro...

Mania de mostrar aquilo que não se é.
Triste piração.
Sorumbática demência.

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