quarta-feira, novembro 09, 2011

De rinhas de galos e de homens


Há um gênero esportivo que me intriga. Sempre ouvi dizer – e me convenci de certo modo sobre isso – que esporte é saúde; que esporte é prazer; que esporte é profissão, também. Porém, não consigo ver fundamento – e juro haver tentado- nas chamadas lutas, em suas variadas opções.

Teimo assistir pela televisão algumas destas disputas, mas os desportistas destas categorias que me perdoem: mas o que vejo é estupidez, brutalidade, truculência, ao abrigo do exercício regular de direito de que são detentores os contendores (lutadores), chamados esportistas.

Se esporte é saúde; se é uma boa maneira de recuperar e manter a auto-estima; se contribui para manter o bom colesterol e evitar doenças crônicas e a depressão; se pode minimizar ansiedades, melhorando, inclusive, as condições do sono; e oportunizar o melhor envelhecimento, além de fortalecer os ossos, fica difícil aceitar que essas lutas possam, mesmo, cooperar para alcançar quaisquer dessas finalidades.

É bem possível que muitas pessoas já tenham manifestado apoio ou oposição a essas práticas, mas alguns fatos dos últimos tempos me levaram a refletir e dividir com os leitores essa minha percepção.

Noutro dia, um aluno agrediu a professora; outro matou o próprio professor, por divergências quanto a sua avaliação. Apurou-se, depois, que um desses agressores era adepto das chamadas lutas livres.

Os recentes episódios da Avenida Paulista, em São Paulo, revelam brutalidade digna de nota – a banalização da selvageria. Em Minas Gerais, à saída de um ‘evento’ de lutas, um torcedor do Cruzeiro foi morto por outro – estes impulsionados, talvez, pela ferocidade do que haviam acabado de assistir.

Algumas dessas práticas esportivas merecem repulsa, por suas características violentas, e até mesmo por muitas conseqüências já produzidas: recordo mortes e comprometimentos neurológicos e psicológicos de praticantes desses esportes. Isso não parece razoável.

E se até pouco tempo essas modalidades estavam disponíveis em academias especializadas, a popularização delas resultou na disponibilidade em academias convencionais, e são sempre ‘vendidas’ como ótimo produto para melhorar o condicionamento físico, queimar calorias, 'sarar' o corpo e, também, ‘nocautear’ o estresse.

Muay Thai (desaconselhada para quem tem problema nas articulações); karatê; kick boxing; jiu-jitsu (que busca, pelo estrangulamento e chaves de pernas, a submissão do adversário!!!); boxe (‘esporte’ de combate); MMA (conhecido como Vale Tudo – aquela luta em que, mesmo com o adversário caído, é possível continuar batendo); nunchaku-do (modalidade que usa como ‘arma’ aquele instrumento formado por duas peças ligadas por uma corrente), e tantos outros esportes disponíveis por aí, formando um leque de opções para o exercício de modalidades esportivas que se traduzem, isso sim, em injustificável violência.

Há outros reflexos destas práticas esportivas. Muitas delas acabam sendo reproduzidas em ‘games’ que fazem sucesso entre a gurizada. Uma maneira disfarçada de brincadeira que fomenta e incentiva a violência.

Está bem. Eu sei que são práticas milenares e que algumas são modalidades olímpicas, inclusive. Mas fico pensando: se brigas de galo e de cães, além de repulsivas, são proibidas, então...

Nenhum comentário:

Postar um comentário