Há um fato curioso, verdadeiro hábito entre pessoas que se propõe a comemorar uma data, aniversário, formatura ou casamento: eleger um tema, um ‘motivo’ para a festa.
Desde a comemoração do primeiro ano da criança, os pais se veem envolvidos nessa árdua tarefa: backyardigans ou homem aranha; princesas ou hello kitty?
A simples escolha do tema da festa pode gerar ‘arranca-rabos’ dignos de nota entre os pais do aniversariante. Ao pequeno isso é o que menos importa. Para ele algumas dúzias de coloridos balões seriam mais do que suficientes.
Quando crescem um pouquinho mais, eles próprios – influenciados por pais, mães, avós ou tias - passam a viver a experiência da escolha do tema de sua festa: farão isso inúmeras vezes. A cada ano, um novo desafio inovador.
Se a festa é de 15 anos, não bastará à alegria dos pais – e à felicidade da menina-moça – comemorar entre amigos. É necessário festão: tema, convites hiper transados, apresentação de bandas, performances da própria aniversariante ou de familiares, homenagens, homens performáticos no meio do salão, ah... quase esqueço, um ‘parabéns a você’ para que ninguém duvide estar numa festa de aniversário.
Inclusive há certa competição entre as aniversariantes: cada aniversário precisa superar o que antecedeu em inovações. Quem será a vencedora?
O mercado percebeu essa tendência e oferece os mais variados serviços. Há evidente crescimento no ramo da prestação de serviços de decoração, inclusive temáticas. São profissionais que levam o seu ofício muito a sério, porque sabem que existe um cliente exigente, disposto a pagar pequenas fortunas por ele.
Soube outro dia de uma festa temática cujo decorador arrecadou todas as estátuas de gatos disponíveis no mercado para abrilhantar o festerê. Havia gato por todo o lugar.
Em outra, o objeto mais procurado eram as estátuas de ‘Buda’. Em toda a região sul, elas foram buscadas em lojas especializadas e antiquários. Festas orientais, indianas, havianas, anos 20/30 ou 50, discoteca, beatlemania, tributo à Madonna ou a Lady Gaga, vale tudo porque a imaginação e a criatividade não têm limites.
As formaturas não ficam atrás. Há pouco tempo elas eram comemoradas entre familiares e, depois, no baile, junto aos demais colegas e amigos. Hoje não. As festas de formatura se tornaram mega-eventos. Elas me passam a ideia de que a fluidez da vida está a justificar que a tudo se ‘aproveite ‘ e ‘comemore’ assim, de modo intenso, chegando mesmo, algumas vezes, ao exagero.
Observo os casamentos. Agora a nova moda é que na festa – não uma festinha - os noivos dancem uma coreografia. Seria algo como a dança dos noivos ou "do acasalamento". É divertido. Já tive a sorte de ir a uma festa dessas e os noivos deram show. Porém, também já me senti "vítima" da dança dos nubentes, pois o noivo não sabia dar um passo sequer e a noiva tentava de todo o modo parecer estar sendo conduzida pelo amado. Mas não. Ela era quem conduzia o infeliz, e mal! Os convidados não seguraram o riso e os noivos terminaram a encenação antes do ‘gran finale’!
O foco das comemorações parece ter se perdido no meio de tanta chuva de prata, glitter, fogos de artifício, purpurinas, flores, budas etc.
Li certa vez – nem sei bem onde – que o ‘motivo’ de um aniversário é ter nascido naquele dia; assim como o ‘tema’ de um casamento é ter escolhido unir-se ‘forever’ naquela data. Isso seria suficiente razão para comemorar, sem precisar qualquer tema adicional.
Qualquer dia desses vai ter gente querendo viver sua vida, no dia a dia, sob um tema diferente: Pica-pau, Dick Vigarista, Penélope Charmosa, Ursinho Pooh ou Meninas Superpoderosas. Sendo assim, qual seria o tema da sua vida hoje?
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