quarta-feira, novembro 09, 2011

Nojento, mas humano

O ato é tão humano, quanto nojento. E certamente todas as pessoas já estiveram tentadas a realizá-lo em público alguma vez em sua existência. Por sorte a maioria freia o impulso.

Mas há alguns muitíssimos desavergonhados (e nojentos porque cumprem o ritual sem qualquer acanhamento.

No trânsito as pessoas costumam praticá-lo. Distraídos, parados na sinaleira, enfiam o dedo no nariz e começa a festa. Você já reparou?

Mesmo sob olhares, alguns não se intimidam. Seguem fazendo aquela faxina que deve ser realizada sim, mas, de preferência, sozinho e no escuro. Ninguém precisa presenciar, nem mesmo o autor da façanha.

Limpar o nariz em público é realmente o fim da picada.

Eu tenho um conhecido – na verdade mais de um – que exerce esse comportamento como uma verdadeira mania. Seria um tipo de TOC?

A proeza e realizada como um ritual, cujas regras não estão escritas, por óbvio, mas obedecem a uma ordem. Dedo no nariz. Primeiro numa narina. Pra lá e pra cá. A venta fica uma gamela, vermelha. Aí, num lampejo de lentidão, o ‘fuçador’ puxa, puxa... e tira o ‘tatu’ do nariz.

Ele olha para o dedo e aprecia o ‘bicho’. Depois, dá aquela enrolada básica. Faz bolinha, talvez por segundos. Mas quem observa considera aquilo uma eternidade. Pronto, e agora? Passa o dedo embaixo da cadeira e troca de narina. Recomeça. Tira a ‘meleca novamente, brinca mais um pouco com ela entre os dedos, faz ‘bolinha’ e coloca noutro lugar: embaixo da mesa.

Vencida a batalha, esfrega as mãos, para concluir o ato, afastando a ‘meleca’ que insiste em fixar-se entre os dedos. Há feição de felicidade no rosto da criatura.

Com algumas variantes – porque depois de fazer a ‘bolinha’ o sujeito pode jogar no chão, passar na roupa, fixar embaixo do sapato ou comer - o comportamento do mal educado ‘fuçador’ de nariz em público é sempre assim: nojento, mas humano.

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